Com o coração tomado por reverente temor e filial confiança na Providência Divina, dirijo-me a vós para partilhar um acontecimento que toca profundamente a minha vocação e o meu serviço à Igreja.
No dia 10 de abril de 2026, por insondável desígnio de Deus, manifestado através da solicitude pastoral de Sua Santidade o Papa Bonifácio I, fui nomeado Núncio Apostólico para o Brasil. Diante de tão elevada missão, ressoam em minha alma as palavras do profeta: “A quem enviarei? Quem irá por nós?” (Is 6,8). E, com humilde abandono, ouso responder: Eccomi — “Eis-me aqui”.
Até então, exercia o ministério de Bispo Auxiliar de Aparecida, junto ao povo fiel reunido sob o manto da Virgem Santíssima, venerada como Senhora Aparecida. Ali experimentei, de modo particular, aquilo que a liturgia proclama: “O Senhor fez em mim maravilhas, santo é o seu nome” (Lc 1,49). Cada celebração eucarística, cada encontro pastoral, cada gesto de caridade foram para mim participação no mistério pascal de Cristo, “o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8).
A missão que agora me é confiada insere-se no mistério da comunhão eclesial, que brota do próprio coração trinitário de Deus. Como representante do Sucessor de Pedro, sou chamado a viver de modo ainda mais intenso aquilo que a liturgia constantemente implora: “Conservai, Senhor, na unidade a vossa Igreja” (cf. Oração Eucarística). O ministério do Núncio Apostólico é, por excelência, serviço à unidade — unidade que tem seu fundamento em Cristo, “nossa paz, que de dois povos fez um só” (Ef 2,14).
Neste novo envio, contemplo também o exemplo dos Apóstolos, enviados até os confins da terra (cf. At 1,8), sustentados não por suas próprias forças, mas pela graça do Espírito Santo. Assim também eu me abandono à promessa do Senhor: “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta plenamente a minha força” (2Cor 12,9).
O lema episcopal que me acompanha — Eccomi — encontra sua mais plena expressão na obediência de Cristo ao Pai: “Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,7). Que esta mesma disposição interior molde cada passo do meu ministério, configurando-me sempre mais Àquele que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28).
Confio esta missão à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, aquela que, no silêncio fecundo de Nazaré, pronunciou o seu “fiat” (cf. Lc 1,38), tornando-se modelo perfeito de disponibilidade à vontade divina. Que Ela me conduza pelos caminhos do serviço fiel e discreto.
Peço-vos, caríssimos, que me sustenteis com vossas orações, para que, “perseverando unânimes na oração” (cf. At 1,14), possamos caminhar juntos na edificação do Corpo de Cristo, “até que cheguemos à unidade da fé” (Ef 4,13).
Ao confiar-vos ao amor misericordioso de Deus, recordo as palavras da liturgia: “O Senhor vos abençoe e vos guarde; o Senhor faça brilhar sobre vós a sua face e vos seja favorável; o Senhor volte para vós o seu olhar e vos dê a paz” (cf. Nm 6,24-26).
Em Cristo, Servo e Senhor,
+ Angelo Roncalli
Núncio Apostólico para o Brasil